design de comunicação e novos media

Solidão vs Colaboração

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Os Social Media estão a tornar-nos menos sociais?

Solidão
Sherry Turkle diz que sim. No entanto, a maneira como defende a sua teoria acaba por ser exagerada. Sherry confere um poder à tecnologia, ao dizer que não estamos em controlo e que esta está a mudar as nossas mentes e os nossos corações, que a tecnologia simplesmente não tem. O ser humano faz as suas próprias escolhas em como quer utilizar o seu tempo e estas escolhas cabem “apenas e só” ao ser humano.

A tecnologia não nos faz sentir cada vez mais sozinhos – é a maneira como a utilizamos que faz. É por isso que é necessário encontrar um equilíbrio e aprender a viver com ela pois não podemos, nem devemos, negar o seu desenvolvimento e presença no nosso dia-a-dia.

Creio ainda que é subjectivo afirmarmos que a tecnologia é melhor ou pior – devia apenas ser entendida como uma experiência diferente à comunicação em pessoa, e que pode ser uma maneira de a complementar, sem que haja um afastamento total de um dos lados. Acredito ainda que nenhuma quantidade de tecnologia vai retirar a necessidade inata de uma pessoa querer relacionar-se com alguém presencialmente.

É de facto verdade que os adolescentes de hoje em dia passam muito mais tempo em casa, muitas vezes graças à Internet (uma discussão que será eterna), do que as gerações anteriores passavam, mas também é verdade que as gerações anteriores não tinham tanto entretimento em casa e, por isso, era aborrecido se não fossem brincar para a rua. Gerações diferentes passarão sempre por experiências diferentes mas, no fim de contas, é tudo uma questão de educação, e neste aspecto os pais têm seguramente um papel fundamental.

Praticamente tudo o que a Turkle define como um problema na tecnologia, eu descrevo como uma funcionalidade. A maneira “velha” de fazer as coisas não está totalmente perdida, foi complementada e melhorada – as pessoas devem abraçar o futuro e as possibilidades incríveis que nos está proporcionar.

Colaboração
Numa outra conversa, que vê um lado mais optimista da tecnologia, Rachel Botsman alarga o consumo colaborativo, que já faz parte da vida real, a um cenário muito mais abrangente.
Uma revolução: confiança entre estranhos gerada pelas novas tecnologias. Rachel descreve um gerador de uma nova sociedade (vejam também o Project Venus), que influenciaria os mercados digitais e todos os aspectos da nossa “vida real”. A ideia de Botsman é de facto interessante, mas apesar da “não-propriedade” ser benéfica para o ambiente, especialmente quando falamos de carros, esta acaba por não remover os problemas mais profundos do consumismo – o facto de usarmos e comprarmos coisas que simplesmente não precisamos. Bastava apresentar esta possibilidade aos milhares de pessoas que fazem fila fora das lojas Apple na noite anterior do lançamento de um iProduto que é apenas ligeiramente diferente do anterior mas que afirmam ser “totalmente novo e revolucionário” .

A ideia de Botsman, no entanto, não aborda uma questão essencial – a partilha de ficheiros através do download gratuito. Se a ideia é economizar recursos, seria melhor para o ambiente que objectos como DVDs e CDs fossem simplesmente copiados e trocados através da Internet, de maneira a partilhar cultura com outros  – ops! nos dias de hoje esta realidade existe, mas é ilegal (a explorar: TPB AFK e/ou RIP: A Remix Manifesto).
Talvez um dia uma sociedade baseada na colaboração se torne um verdadeiro modo de viver, após a economia actual entrar em colapso e formos forçados a substituir o nosso “hiper-consumo ” por um sistema mais sustentável. No entanto, também é preciso pensar que as grandes empresas farão quase tudo, se não tudo, para impedir que isto aconteça, como forçar o governo a pôr um grande número de restrições na Internet.

Podemos ainda estabelecer uma ligação com a conversa de Sherry Turkle, porque este consumo colaborativo não está a criar laços que sejam realmente significativos a um nível social. Esta colaboração está a remover, intencionalmente, humanos dos seus contextos imediatos e, de certa forma, encorajam as pessoas a satisfazer as suas necessidades fora das comunidades onde vivem.

Embora concorde com o conceito de que “acesso é mais importante que propriedade” e esteja de acordo com abordagens sustentáveis como a partilha de carros, esta visão é difícil de ser concretizada. Como Rachel afirma, é tudo uma questão de confiança e, infelizmente, há muitas maneiras de utilizadores mal-intencionados poderem abusar deste sistema.

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